Interoperabilidade é a capacidade de diferentes sistemas, processos ou estruturas trocarem informações de maneira organizada para que os dados possam ser utilizados sem precisar ser recriados a cada etapa.
No Governo Digital, o tema aparece porque serviços públicos normalmente atravessam mais de uma área.
Uma solicitação pode começar no atendimento, seguir para análise administrativa, exigir uma informação tributária e terminar em outro departamento.
Quando cada etapa funciona isoladamente, a pessoa que solicita o serviço pode acabar carregando informações de um setor para outro.
Dado repetido também gera retrabalho
Imagine que o mesmo endereço precise ser digitado em vários cadastros.
Uma alteração feita em uma base pode não chegar às outras, criando versões diferentes da mesma informação.
O problema deixa de ser apenas operacional, porque a administração passa a tomar decisões a partir de dados que podem estar divergentes.
A interoperabilidade procura reduzir esse tipo de fragmentação.
A Lei do Governo Digital trata diretamente do tema
A Lei nº 14.129 inclui a interoperabilidade de sistemas entre as diretrizes do Governo Digital e relaciona integração de dados à simplificação e à eficiência nos processos e serviços.
Isso não significa que qualquer informação possa circular livremente.
Compartilhamento precisa respeitar finalidade, restrições legais, segurança e proteção de dados pessoais.
O cidadão percebe quando as áreas não conversam
Um dos sinais mais visíveis aparece quando a pessoa precisa entregar novamente um documento ou informar um dado que a própria administração já possui de forma válida.
Outra situação acontece quando um setor não consegue visualizar o andamento de uma solicitação iniciada em outro departamento.
A integração adequada reduz essas rupturas.
Interoperabilidade depende de governança
Antes de integrar, a cidade precisa entender quais dados estão sendo utilizados, qual base é referência, quem é responsável por atualizar a informação e quem pode acessá-la.
Sem essa definição, conectar sistemas pode apenas espalhar inconsistências.
Uma análise inicial pode verificar:
• quais informações são repetidas em diferentes áreas;
• onde o cidadão precisa apresentar novamente o mesmo dado;
• quais processos dependem de consulta a outro departamento;
• quais bases possuem informação considerada oficial;
• quem é responsável pela atualização;
• quais dados possuem restrição de acesso;
• quais integrações realmente reduziriam etapas.
O ecossistema do Grupo Assessor trabalha diferentes áreas da administração e permite que soluções próprias compartilhem informações quando existe relação entre os processos.
Esse desenho ajuda a reduzir atividades repetitivas e permite que o atendimento se apoie em dados já produzidos pela própria cidade.
Integração precisa resolver um problema concreto
Nem toda conexão entre sistemas gera benefício apenas por existir.
A prioridade deve estar nos pontos em que uma informação duplicada provoca atraso, erro ou trabalho desnecessário.
Quando a integração elimina uma digitação repetida, facilita uma consulta ou permite que um processo avance sem solicitar novamente um documento, a interoperabilidade começa a aparecer na experiência de quem trabalha e de quem utiliza o serviço.
Leia também: Governo Digital: o que a Lei 14.129 e a ENGD trazem para as cidades.