Cidade sem papel: o que precisa acontecer depois da digitalização

Retirar o papel é apenas uma etapa. Uma cidade sem papel precisa organizar fluxos, documentos, acessos, assinaturas e preservação das informações.

Uma cidade sem papel começa a surgir quando solicitações, documentos e decisões deixam de depender da circulação física entre departamentos, mas simplesmente escanear o acervo e transformar formulários em PDF ainda não resolve toda a rotina.

Depois da digitalização aparece uma nova necessidade, organizar como a informação vai circular, quem poderá acessá-la, onde ficará armazenada e como será recuperada quando alguém precisar consultá-la.

O papel saiu, mas o processo continua

No ambiente físico, uma pasta percorre setores, recebe despachos e acumula documentos.

No digital, essas etapas continuam existindo, porém podem ser registradas dentro de uma tramitação eletrônica.

O ganho aparece quando a equipe consegue visualizar onde a demanda está, quem precisa agir e o que já aconteceu.

Assinatura também precisa acompanhar o processo

Quando um documento nasce ou circula digitalmente, a validação precisa ser compatível com o risco e com as regras aplicáveis.

A Lei nº 14.129 reconhece atos e documentos em meio digital mediante assinatura eletrônica adequada.

Isso permite que aprovações deixem de depender da impressão de um arquivo que nasceu eletrônico.

O arquivo final precisa permanecer organizado

Processo concluído não significa documento descartável.

A legislação trata da preservação e da guarda das informações digitais, enquanto a rotina administrativa precisa garantir que arquivos permaneçam pesquisáveis e com acesso controlado.

Por isso, Processo Digital e GED cumprem funções complementares.

Um conduz a demanda enquanto ela está em andamento, o outro ajuda a preservar e organizar o conteúdo digital.

O que caracteriza uma estrutura realmente sem papel?

• processos nascem e tramitam em meio eletrônico;

• documentos podem ser juntados ao histórico;

• responsáveis ficam identificados;

• pareceres e decisões permanecem registrados;

• assinaturas e aprovações ocorrem digitalmente;

• permissões de acesso são controladas;

• o usuário consegue consultar o andamento quando aplicável;

• o acervo permanece pesquisável;

• documentos são preservados de acordo com suas regras de guarda;

• as bases digitais possuem rotina de backup e restauração.

No Assessor Digital, essas etapas aparecem distribuídas entre Processos Digitais, GED e Gestão de Backups.

A retirada do papel passa a ser consequência de uma rotina melhor organizada, em vez de uma meta isolada.

Leia também: Processo digital na administração pública: por que transformar papel em PDF não basta.

Fonte oficial

Lei nº 14.129, de 29 de março de 2021.