Prestação de contas no MROSC: o que precisa ser demonstrado além das despesas

A prestação de contas no MROSC precisa permitir a avaliação do objeto, das metas e dos resultados da parceria. Entenda o que deve ser acompanhado.

Quando se fala em prestação de contas de recursos públicos, notas fiscais, extratos e comprovantes costumam aparecer primeiro.

No MROSC, essa leitura é incompleta.

A Lei nº 13.019/2014 define a prestação de contas como um procedimento destinado a analisar e avaliar a execução da parceria para verificar o cumprimento do objeto e o alcance das metas e dos resultados previstos.

Isso coloca uma pergunta no centro da análise:

aquilo que foi pactuado realmente aconteceu?

A movimentação financeira ajuda a responder parte da história, mas o resultado da parceria depende também daquilo que foi entregue.

O que é prestação de contas no MROSC?

A prestação de contas possui duas responsabilidades diferentes.

A OSC apresenta as contas e as informações relacionadas à execução.

Depois, cabe à administração pública analisar esses elementos e emitir sua manifestação conclusiva, sem prejuízo da atuação dos órgãos de controle.

A avaliação precisa considerar o instrumento da parceria, o plano de trabalho, as regras aplicáveis e o período analisado.

Prestação de contas é comprovação de despesas?

A comprovação financeira é relevante, principalmente quando existe transferência de recursos públicos, mas a legislação coloca objeto, metas e resultados no centro da avaliação.

O artigo 64 determina que a prestação apresentada pela OSC contenha elementos que permitam ao gestor avaliar o andamento ou concluir que o objeto foi executado conforme pactuado.

Também devem existir informações que demonstrem as atividades realizadas e o alcance das metas e resultados esperados.

Isso permite diferenciar duas perguntas:

O dinheiro foi utilizado dentro das condições da parceria?

O que esse recurso ajudou a entregar?

Uma análise completa precisa compreender as duas dimensões quando elas forem aplicáveis.

O que é o Relatório de Execução do Objeto?

O Relatório de Execução do Objeto é um dos principais documentos da prestação de contas.

Ele é elaborado pela OSC e apresenta as atividades ou projetos desenvolvidos para cumprir o objeto, além de comparar as metas propostas com os resultados alcançados.

Esse relatório ajuda a mostrar a relação entre aquilo que estava previsto e o que efetivamente foi realizado.

Se a parceria previa determinados atendimentos, oficinas, atividades ou entregas, a análise precisa conseguir identificar o que aconteceu durante o período.

E o Relatório de Execução Financeira?

A Lei nº 13.019/2014 prevê o Relatório de Execução Financeira com a descrição das despesas e receitas e sua vinculação à execução do objeto na hipótese de descumprimento de metas e resultados estabelecidos no plano de trabalho, conforme a redação atual do artigo 66.

Regulamentos e instrumentos aplicáveis também precisam ser observados.

Por isso, a equipe não deveria trabalhar apenas com um checklist genérico de documentos, é necessário conferir qual regra vale para aquela parceria.

O que uma prestação de contas precisa permitir verificar?

Cumprimento do objeto

O objeto define a finalidade central da parceria.

A prestação precisa mostrar se aquilo que foi pactuado realmente foi executado.

Atividades realizadas

Não basta afirmar que o projeto aconteceu.

Os registros devem ajudar a identificar quais atividades foram desenvolvidas durante o período.

Metas alcançadas

As metas criadas no plano de trabalho servem como referência de comparação.

Quando uma meta não foi atingida, a situação precisa ser analisada dentro das regras aplicáveis e das justificativas apresentadas.

Resultados obtidos

O artigo 64 determina que a análise considere a verdade real e os resultados alcançados.

Isso amplia a leitura para aquilo que a parceria efetivamente produziu.

Relação com os recursos utilizados

Quando a análise financeira for necessária, receitas e despesas precisam manter vínculo com a execução do objeto e observar as condições previstas.

O monitoramento interfere na prestação de contas?

Sim.

A administração pode utilizar informações produzidas durante a execução para compreender melhor o resultado final.

A Lei prevê, quando existentes, relatório de visita técnica e relatório técnico de monitoramento e avaliação entre os elementos considerados na análise.

Isso reforça um ponto que vale observar durante toda a parceria, documentar a execução enquanto ela acontece costuma ser muito mais simples do que tentar reconstruí-la no encerramento.

Uma foto isolada, por exemplo, pode dizer pouco meses depois se ninguém souber a qual atividade, data ou meta ela estava relacionada.

Quando a evidência permanece ligada à ação correspondente, a análise ganha contexto.

Como evitar a corrida por documentos no final?

O caminho começa durante a execução.

Imagine uma entidade prestando contas pelo próprio sistema, anexando documentos e evidências à medida que as atividades acontecem, enquanto a equipe da administração acompanha prazos, pendências, despesas e execução.

Quando chega o fechamento, boa parte da informação já está organizada.

Essa possibilidade existe na solução de Terceiro Setor do Grupo Assessor, que permite prestação de contas online, acompanhamento de atividades, prazos e evidências, além do armazenamento de fotos, planilhas, relatórios, pareceres, documentos e despesas relacionados à parceria.

O mesmo ambiente também trabalha com indicadores de execução física e financeira e acompanhamento do status das parcerias.

E a Fase V AUDESP?

Para as cidades sujeitas ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, a prestação de contas do Terceiro Setor também se relaciona às obrigações da Fase V AUDESP.

Esse é um processo específico do TCESP e não deve ser confundido com uma obrigação nacional do MROSC.

Por isso, quem está em São Paulo precisa observar tanto as regras gerais da parceria quanto os leiautes, calendários e orientações publicados pelo Tribunal.

Leia também: Fase V AUDESP, no Glossário do Grupo Assessor.

Uma boa prestação começa no plano de trabalho

Quando objeto e metas são pouco claros, a dificuldade reaparece no final.

A equipe pode ter vários comprovantes e ainda assim enfrentar problemas para demonstrar se o resultado esperado foi alcançado.

Por isso, prestação de contas, monitoramento e planejamento precisam conversar.

O documento final ganha qualidade quando consegue mostrar uma linha compreensível entre o que foi proposto, o que aconteceu e o que foi alcançado.

Leia também: Parcerias com OSC: como funciona o processo do planejamento à prestação de contas.

Fontes

Lei nº 13.019, de 31 de julho de 2014, especialmente artigos 63 a 68.

Manual MROSC, do Planejamento à Prestação de Contas.

Modelos oficiais de Relatório de Execução do Objeto e de análise de prestação de contas.